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Estampas Baratas, de Luiz Martins / Estampes Bon marché, Traduction Ana Rossi

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I De letra em letra, uma linha; De linha em linha, uma quadra; De quadra em quadra, caminha A vida bem ladrilhada II Ser poeta é quase tino, Lida de escrever, fado. E quem lê tal desatino, Por certo ganha o que é dado. III E se a sorte, num presságio, Avisa, mora bem perto, Fortuna há pouco invisível. Tesouro, agora, entreaberto. IV Triste alegria a do verso: Sincero, fagueiro, carinho. Chora a criança no berço; Ri, no adeus, o velinho. V Nem tudo na vida é festa, Mas, de festa a vida é farta. Com festa é que a vida presta, A vida sem festa é farsa. VI Não que do vinho não venha, Como dizia o ditado, Verdade que se contenha, Senão, mentir é verdade. VII Ilusão que se definha, Bem cedo, a vida se gasta. Quem é sábio não se engana, Boa sina é a vida modesta.   © Ana Rossi I De lettre à lettre, ligne De ligne en ligne, carré De carré en carré, chemine La vie bien quadrillée II Être poète es...

Encantamento 1 : Saci pererê, nosso sapeca / Enchantement 1: Saci pererê, notre coquin

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saci pererê, escondido nas matas olha, depressa, montado num cavalo a nuvem passa, ventava muito perto da mata, que confusão! as galinhas saíram assustadas, a porteira do curral abriu-se, as pombas voaram sobre as crinas dos cavalos a cachorrada latiu sem parar. lá vem o saci sapeca, bagunceiro, mas ninguém o viu, só ficou o rastro, que não tem cheiro, na poeira daquelas bandas lá vai o saci aprontando mais uma o feijão com gosto de doce, a água derrubada no chão, a cebola queimada na panela, a gaveta do armário aberta, o milho que não estourou. que confusão !  © ana rossi saci pererê, caché dans les bois, regarde, vite, filant sur un cheval le nuage passe, il ventait beaucoup près des bois, quelle confusion ! les poules sortirent affolées, la porte de l’étable s’ouvrit, les pigeons s’envolèrent sur les crinières des chevaux, les chiens aboyèrent sans arrêt. alors, vient le saci espiègle, ...

Encantamento 1 (Tradução) : o pato pateta, Autor: Toquinho / Enchantement 1 : le canard canardé, Auteur : Toquinho – Traduction : Ana Rossi

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Lá vem o pato Pata aqui, pata acolá L á  vem o pato Para ver o que é que há O pato pateta Pintou o caneco Surrou a galinha Bateu no marreco Pulou do poleiro No pé do cavalo Levou um coice  Criou um galo Comeu um pedaço De jenipapo Ficou engasgado Com dor no papo Caiu no poço Quebrou a tigela Tantas fez o moço Que foi pra panela  © Ana Rossi Voilà le canard Canard par-ci, Canard par-là Voilà le canard Pour voir ce qu’y a Le canard canardé  Badigeonne la coupe Dégomme la poule Frappe le caneton S’envole du cordage Au pied du cheval Reçoit un coup  S'fait un cocard Il mange un morceau  De jenipapou S’enraie la gorge Quel mal de poitrine !  Tombe dans le puits Casse le pot Il en fait tellement, le jeunot Qu’il part direct au brasero www.youtube.com/watch?v=z8-yWOXXJ4Y

estampas de 73 / estampes de 73

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estampas escoam na minha mente 73 volta a ressoar numa música longinqua que (ainda) segue o meu caminhar mas, desde então, a água rolou muita coisa a mudar nas minhas esferas 73 segue no meu caminhar 73 ano de minha morte 73 ano de meu nascimento para a literatura anos vividos em várias línguas sintetizados hoje em português e, na confluência dos dias 73 segue comigo não mais como um inimigo mas como uma parte de meu ser na escritura   © Ana Rossi estampes éclosent dans ma mémoire 73 sonne à nouveau une musique lointaine qui accompagne (encore) mon pinceau mais, depuis lors, de l’eau passa tout changea dans mes sphères 73 suit (encore) mon aura 73, année de ma mort 73, année de ma naissance en littérature des années vécues en plusieurs langues synthèse aujourd’hui en portugais et, dans la confluence des jours 73 m’accompagne non plus comme un ennemi mais comme une partie de mon être ref...

estrela do mar / étoile de la mer

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na estrela do teu olhar meu mar viaja dia e noite noite e dia entre profundezas e rochas vejo o dia que se foi vejo também o dia que se vai vejo na estrela do teu olhar as ondas seguem seu rumo no perfeito das andanças da vida plenitude plena neste meio-século de viagens de passeios navegando pela minha vida na estrela do teu olhar vejo © Ana Rossi dans l'étoile de ton regard ma mer voyage jour et nuit nuit et jour entre des profondeurs et des roches je vois le jour qui fut je vois aussi le jour qui s'en va je vois dans l'étoile de ton regard les vagues suivent leur chemin dans le parfait des cheminements plénitude pleine dans ce demi-siècle de voyages de promenades naviguant dans ma vie dans l'étoile de ton regard je vois

olhando / en regardant

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appuyée contre le mur je vois les passants ils passent jour et nuit dans la langueur des moments langoureux de la grande ville qui pleure assise en tailleur mon corps respire les mouvements passent et le temps se meut doucement doucement très doucement douce douceur   © Ana Rossi encostada contra a parede olho os passantes eles passam dia e noite no langor dos momentos langorosos da cidade grande que chora sentada de pernas cruzadas meu corpo respira os movimentos passam o tempo se move devagar devagar bem devagar doce vagar

claridade / clarté

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claridade do dia clarão da noite correm nos nossos poros a nos contemplar fumaça que cega flor que cura suor que afugenta estamos todos a caminhar cisterna repleta de choros antigos abre-se ao sol do nosso luar e assim vamos cantando nosso cantar   © Ana Rossi clarté du jour éclat de la nuit courent dans nos pores et nous contemplent fumée qui aveugle fleur qui guérit sueur qui fait fuir nous sommes tous en marche citerne pleine d’anciens pleurs s’ouvre au soleil de notre clair-de-lune et ainsi, allons chantonnant notre chanson