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6 haikai / 6 haïku, por Ana Rossi + aula de Roland Barthes sobre o haïku: Le désir du haïku - France Culture - Curso de 13 de janeiro de 1979 no Collège de France

  haikai 1 esparramo-me no mundo ressonando vou caminhar lento e seguro     je m’étends sur le monde je ronronne marche lente et sûre       haikai 2 pétalas de sal andam por mim andante vou   pétales de sel courent sur moi andante je suis     haikai 3 o sol ao meio-dia chamas de vento o gato mia     soleil à midi ardeur au vent le chat miaule       haikai 4 silêncio cortado aislado isolado sou pensamento   silence coupé esseulé confiné je suis pensée     haikai 5 na função da tangente tangencialmente aprendo a ser   dans la fonction de la tangente tangentiellement j’apprends à être     haikai 6 afáveis   flores corolas voam vento em ação     fleurs affables corolles volent vent en action  Aula de Roland Barthes (em francês) no Collège de France: Le désir du haïku, 13 de janeiro de 1979. https://www.youtube.com/watch?v=Y8nD-quUyPo

GRAPHIUM LITTÉRAIRE, by Ana Rossi - "In her shoes"

  Publication / Publicação : GRAPHIUM LITTÉRAIRE: "In her shoes" https://www.youtube.com/watch?v=AEVjX_kBw3g

6 haikai

1.  jóia rara aos pés do pequizeiro estrela do dia 2.  a respiração do gato miau-miau sobe e desce 3.  a poeta lê millágrimas vêm a floresta é 4.  a secura vem adormecida sente tosses das lembranças 5.  água no tanque chá enluarado chuá chuá tem 6.  corpo lento vai andando andando traz mande notícias de lá 1.  rare bijou aux pieds du pequizier étoile du jour 2.  la respiration du chat miaou-miaou monte et descend 3.  la poète lit millarmes viennent la forêt est 4.  la sécheresse vient endormie elle sent toux des souvenirs 5.   l’eau du bac thé sous la lune chouá chouá vient 6.  corps lent vient elle marche elle marche des nouvelles de là-bas

onde foi que... / où est-ce que j'ai...

onde foi que... para Milton Nascimento, que canta “Caçador de mim” Este poema foi gestado em Brasilia, durante a pandemia, em junho de 2020, enquanto ouvia o nosso grande Milton Nascimento cantar “Caçador de mim”. onde foi que eu me encontrei eu me encontrei nos encontros eu me encontrei nas ausências eu me encontrei nas falas eu me encontrei nos silêncios eu me encontrei nas (in)decisões eu me encontrei nos risos eu me encontrei nos choros lagrimais eu me encontrei em mim onde foi que eu me encontrei eu me encontrei nas viagens que fiz eu me encontrei nas multidões que cruzei eu me encontrei nas bolhas de luz eu me encontrei nas esquinas eu me encontrei nas cidades que amo eu me encontrei nas bocas rudes eu me encontrei nos olhares tenros eu me encontrei na solidão de mim onde foi que eu me encontrei eu me encontrei nos continentes onde vivi eu me encontrei nas línguas que ouvi eu me encontrei nos amigos que fiz eu me en

de mim comigo mesma / de moi avec moi-même

Este poema foi gestado feito uma gravidez, durou muito tempo, muito mais que nove meses. E este poema fala de mim, dos meus movimentos internos, tão intensos. Também nasceu durante a pandemia, em Brasília. de mim comigo mesma olho e me vejo paisagens estranhas perspectivas abissais de mim comigo mesma sinto que o novo virá está ainda em gestação cuido dele com carinho de mim comigo mesma a criança olha e sou eu diante de um sol radiante olhos enxutos e molhados de mim comigo mesma o meu espaço se amplia minhas lágrimas surgem estou viva de mim comigo mesma me fortaleço no espaço interior façanha de mim mesma quantas Ana há de existir em mim? de mim comigo mesma desperto o novo em mim olho o sol sacudo a poeira e sigo de mim comigo mesma deixo ir e ficar com o que deve permanecer de mim comigo mesma *   *   *   *   *   Ce poème a été fait comme une grossesse. Il a duré longtemps, beaucoup plus que neuf

óculos embaçados / lunettes brouillées

Este poema nasce de uma sensação de felicidade imensa quando sai para passear ao sol em Brasília, durante a pandemia. óculos embaçados o dia lindo corre sem pesar o mundo palpável se apega a mim e no jardim do interesse eu me vejo minha imagem na água - não como narciso – há tantos narcisos... a minha imagem vem e de repente a nitidez corre pelas minhas veias óculos de sol meu hoje se transforma no meu hoje olho para além do que está olho e enxergo o que é o que está dentro de mim óculos de sol em dia de calor saio sozinha e comigo mesma no entanto a leveza da vida segue forte uma atriz em cena uma raiz profunda que emerge em mim óculos pretos em dia de sol o céu está lindo ele conversa comigo nas suas fases do meio e nisso sou reconhecida óculos pretos não embaçam (mais)   minha visão Ce poème naît d’une sensation d’immense bonheur lorsque je suis sortie me promener au soleil à Brasili

george floyd: oito minutos e quarenta e seis segundos / george floyd: huit minutes quarante-six secondes

george floyd: oito minutos e quarenta e seis segundos Este poema foi escrito após a interpelação em 25 de maio de 2020 e a morte por asfixia de George Floyd em Minneapolis. Seu pescoço ficou debaixo do joelho de um policial durante oito minutos e quarenta e seis segundos. interpelação na rua atrás da viatura técnica do estrangulamento bem ali onde passa o ar bem ali para matar interpelação na rua atrás da viatura quatro policiais olham ele suplica ele suplica falta de ar interpelação na rua oito minutos e quarenta e seis segundos no pescoço o joelho o joelho no pescoço interpelação na rua oito minutos e quarenta e seis segundos sem ar george floyd não aguentou causa: era negro resultado: não está mais aí black lives matter Ce poème a été écrit après l’interpellation le 25 mai 2020 et la mort par asphyxie de George Floyd à Minneapolis. Son cou s’est retrouvé sous les genoux d’un policier pendant hui