terça-feira, 26 de maio de 2015

encantamento 6: soneto do negrinho do pastoreio / enchantement 6: sonnet de l'enfant noir du pâturage

para Camara Laye


na calada da noite, negrinho estava lá,
vigiando o cavalo baio do patrão, no
passo de quem não sabe se volta,
mas ele voltará, para aquelas terras de lá.

sem esporas de prata, o baio, o preferido,
no rastro da noite, fugiu e se foi.
negrinho atrás foi, não encontrou.
apanhou de chicote, a pele chorou.

à noite, no formigueiro, o calvário
continuou. seus lamentos ouvidos
por nossa senhora, não foram em vão.

quando de manhã voltou o patrão,
o negrinho de pele sadia, reconstituída,

esperava por ele, rastro de luz na pampa.


© Ana Rossi


pour Camara Laye


au creux de la nuit, l'enfant noir était là
surveillant le cheval Baio du patron,
au pas de qui ne sait s'il reviendra,
mais lui, il retournera vers les terres de là-bas.

sans les éperons d’argent, Baio, le préféré,
dans le mouvement de la nuit, s’enfuit.
L'enfant noir courut derrière, le cheval se perdit.
Fouetté sans merci, la peau se contorcit.

de nuit, attaché au fourmillier, le calvaire
continua. Ses pleurs entendus par Notre
Dame, ne furent pas en vain.

Le lendemain, au retour du patron,
L'enfant noir, à la peau toute neuve, refaite,
Attendait, rastre luisant dans la pampa. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário