quinta-feira, 16 de abril de 2015

Encantamento 4: Soneto da Cuca / Enchantement 4: Sonnet de la Croque

Lá onde a lua não tem mais cara,
Lá, quando as crianças vão dormir,
Lá, onde os telhados esbarram,
Lá, bem lá longe, vivia a Cuca.

Com uma cara de mulher e um
Corpo de jacaré, lá vai ela,
Amedrontando as crianças peraltas, 
Nas noites cheias de pleno luar. 

Pedrinho e Narizinho, na sala com
Dona Benta, preparando o jantar.
Um barulho! Cruz Credo! Estrepolias no ar.

Vamos todos, lá no telhado, para brincar,
E a Cuca já prestes a amedrontar,

Foi embora para dormir sete anos sem penar.  


© ana rossi

Là-bas, où la lune n’a plus de visage,
Là-bas, lorsque les enfants dorment,
Là-bas, où les toitures se bousculent,
Lá-bas, bien loin, vivait dame Croque.

Un visage de femme, dans un
Corps d’alligator, elle y va, toujours,
Faisant peur aux p’tits et aux grands,
Que les bêtises folâtrent en tours grisonnants!

Pierrot et P’tit Nez, dans le salon avec
Dame Blette, qui prépare un grand dîner,
Du bruit ! Mon Dieu ! Que des bêtises en jeu.

Allons-y tous, sur les toits pour jouer,
Et alors, Dame Croque, prête à faire peur,
Partit sans se fouler pour dormir sept années. 

Um comentário:

  1. Ana, que belo poema-soneto de rimas indiretas e mágicas. Há tempos, já precisávamos de poemas que se remetem ao "conto maravilhoso". Digno de uma ilustração para um livro infantil.

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