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óculos embaçados / lunettes brouillées

Este poema nasce de uma sensação de felicidade imensa quando sai para passear ao sol em Brasília, durante a pandemia. óculos embaçados o dia lindo corre sem pesar o mundo palpável se apega a mim e no jardim do interesse eu me vejo minha imagem na água - não como narciso – há tantos narcisos... a minha imagem vem e de repente a nitidez corre pelas minhas veias óculos de sol meu hoje se transforma no meu hoje olho para além do que está olho e enxergo o que é o que está dentro de mim óculos de sol em dia de calor saio sozinha e comigo mesma no entanto a leveza da vida segue forte uma atriz em cena uma raiz profunda que emerge em mim óculos pretos em dia de sol o céu está lindo ele conversa comigo nas suas fases do meio e nisso sou reconhecida óculos pretos não embaçam (mais)   minha visão Ce poème naît d’une sensation d’immense bonheur lorsque je suis sortie me promener au soleil à Bra...

george floyd: oito minutos e quarenta e seis segundos / george floyd: huit minutes quarante-six secondes

george floyd: oito minutos e quarenta e seis segundos Este poema foi escrito após a interpelação em 25 de maio de 2020 e a morte por asfixia de George Floyd em Minneapolis. Seu pescoço ficou debaixo do joelho de um policial durante oito minutos e quarenta e seis segundos. interpelação na rua atrás da viatura técnica do estrangulamento bem ali onde passa o ar bem ali para matar interpelação na rua atrás da viatura quatro policiais olham ele suplica ele suplica falta de ar interpelação na rua oito minutos e quarenta e seis segundos no pescoço o joelho o joelho no pescoço interpelação na rua oito minutos e quarenta e seis segundos sem ar george floyd não aguentou causa: era negro resultado: não está mais aí black lives matter Ce poème a été écrit après l’interpellation le 25 mai 2020 et la mort par asphyxie de George Floyd à Minneapolis. Son cou s’est retrouvé sous les genoux d’un policier pendant hui...

sobre o livro / sur le livre

“ sobre o livro” Este poema foi escrito em português na cidade de Avignon em 08 de junho de 2008, em Avignon (França). Ele conta a experiência de escrever e de estar dentro no poema, no poema, deixando tudo acontecer.  sozinha perfeitamente sozinha apenas sozinha ela escreve cantos dores cores retiros sobre o papel página em branco à procura de sílabas sonoridades dispostas graficamente ilusão do amanhecer no tempo sem tempo claridade da madrugada soleira do sol e a noite se esvai na memória sem rumo que é de todos os rumos memória despedaçada escrita na medida do tempo páginas à procura do livro inicial torre de babel e as línguas falam cada qual sua língua fortalezas de sentido fortalezas do início fortalezas do ser início da noite veloz livro sem início escrito contado falado livro amedrontado na conclusão do dia livro ausente tão mais presente e de um livro só brotam tantos outros suspiros do ...

chegar ao ponto de mim mesma / arriver au point de moi-même

chegar ao ponto de mim mesma este poema foi escrito em 15 de maio de 2020 em meio ao confinamento devido à pandemia do Covid-19, em um estado de autoconhecimento intenso chegar ao ponto de mim mesma cheguei ao ponto em mim mesma nunca fora tão longe terras inexploradas paixão de mim! cheguei ao ponto desconhecido aquele onde nunca antes chegara aquele que me pertence agora chegar ao ponto máximo desloca as fronteiras em mim mesma calma completa incisiva mente sou! esse ponto em mim mesma não tem nome até agora nomeio enquanto descubro oração de mim mesma esse ponto de mim mesma onde cheguei (ainda) sem nome mas haverá nomeação apaixonada mente! arriver au point de moi-même ce poème a été écrit   le 15 mai 2020 – et traduit le 31 mai 2020 -   pendant le confinement dû à la pandémie du Covid-19, dans un état d’intense autoconnaissance arriver au point de moi-même je suis arrivée au point d...

exilada das manhãs / exilée des matins

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exilada das manhãs  por Ana Rossi para Olga Savary (1933 – 2020) Esse poema brota ao saber da partida da grande poeta brasileira, filha de pai russo e de mãe brasileira do Pará. Com uma escrita leve, e sensivelmente feminina, ela fala. Eu também falo já que eu também fui uma exilada das manhãs.  exilada das manhãs olho para mim mesma ao meio dia de tarde continuo olhando e nesse olhar vou me encontrando exilada das manhãs deixo as manhãs deitarem em mim sol confidente meu anuncia o que eu já sei exilada das manhãs cuido de mim e quando o cuidado é pouco eu me olho no espelho e vejo com satisfação que o exílio interno foi-se feito gotas d’água após a tempestade exilada das manhãs não sou mais https://www.escritas.org/pt/olga-savary exilée des matins par Ana Rossi pour Olga Savary (1933 – 2020) Ce poème jaillit lorsque j’ai appris le départ de Olga Savary, grande poétesse brésilien...