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mil tempos / mille temps

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no túnel em mil tempos um tempo um encontro descerrando os olhos raiando o dia dans le tunnel aux mille temps un temps une rencontre réouvir les yeux le jour naît

nosso guaraná ! / vive le guarana

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nosso guaraná ! há muitos anos atrás, muitos anos mesmo, havia muita fome numa aldeia de índios, não chovia há muito tempo, e a seca estava lá, as árvores não davam nem mais um coco! os pássaros não cantavam mais ; nos rios, mais nenhum peixe, e nas matas, tudo era silêncio, aí, nasceu um curumim de olhos redondos ; e as árvores se esverdearam, os peixes voltaram ! e o curumim cresceu, cresceu, muito amado, mas jurupari, o espírito do mal, muito cruel, não estava nada feliz ; todos contentes ? era preciso acabar com toda aquela felicidade ! e o curumim foi à floresta colher frutos, foi andando, andando muito distraído, e brincou com os filhotinhos do tatu, do bicho-preguiça, e, traiçoeiro, jurupari, virou cobra, e o mordeu ! deram falta do curumim ; procuraram por toda parte ; e depois o encontraram deitado no chão, sem vida ; parecia dormir ; quando o encontraram veio um grande trovão, tupã ! e choveu, choveu, choveu, sem parar di...

encantamento 13: boitatá / enchantement 13: boitatá, le serpent

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um dia, na calada da noite, começou a chover, a chuva foi tanta, e durou tanto tempo que o dia não amanheceu mais, e tudo ficou escuro, o silêncio tomou conta do mundo inteiro... aí, ouviu-se um barulho, a chuva caiu, caiu, e foi tamanha água que os rios subiram e inundaram a floresta... mas, sem nadar, era morte na certa, a correnteza faria o resto, mas uma cobra se escondeu num buraco, e escapou do aguaceiro; na falta de luz, seus olhos cresceram, seu corpo longo perdeu a cor, e ela ficou transparente ! depois de muito, muito, muito tempo, o sol reapareceu, o dia clareou, o céu azulou, e a água abaixou; a cobra quis sair da toca onde ficara escondida de todo aquele aguaceiro ; mal ela colocou a cabeça para fora, ela voltou para o esconderijo, ela não conseguia abrir os olhos que tinham ficado enormes ; saia à noite apenas para caçar ; era a cobra grande boitatá! © Ana Rossi un jour, au creux de la nuit, il commença à ple...

encantamento 12: joão donizete que matou sete / enchantement 12 : jean lunette qui tua sept

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adaptação brasileira de um dos contos coletados pelos irmãos Grimm  (final do século XVIII a meados do século XIX),  cujo título é: Das tapfere Schneiderlein .   em um reino distante, um sapateiro muito pobrezinho, chamado joão donizete, fazia sapatos; todos achavam ele um fracote; e sua barriga não parava de roncar de fome, ele pegou um pedaçinho de queijo, e foi cozer mais um sapatinho. as moscas pousaram no queijinho, e quando ele viu, com uma única lambada, matou sete de uma vez; que sou fracote nada! e ele escreveu com grandes letras bem visíveis em toda a extensão do cinto, para ser visto: "joão donizete que matou sete" e, com o pedacinho de queijo e um passarinho no bolso, joão donizete que matou sete caiu no mundão, andando, andando; na curva da estrada, encontrou um valentão, que leu o que estava escrito no cinto; e para se exibir, pegou uma pedra, e esmagou-a e desafiou joão donizete que matou sete; joão pegou o pedacinho...

em casa / à la maison

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cheguei em casa, após muito caminhar, e, nas minhas andanças, vi países longínquos, pessoas, muitas e muitas pessoas que nem posso contar nas minhas noites sem pensar, cheguei em casa onde tem o sol, onde brilha o luar, depois de tantas noites sem dormir, depois de tantas noites sem descansar, depois de um mundo vivido acordada, sem parar, cheguei em casa, aqui, no planalto central, aqui, bem aqui no coração do brasil, onde o luar é mais belo do que em qualquer outro lugar, aqui onde os periquitos cantam e esvoaçam nas noites de luar, cheguei em casa onde re-conheço o que sou dentre muitas outras pessoas, sei onde piso, e caminho casa vez mais calma, tranquila, cheguei em casa onde encontro a paz e a tranquilidade no meu caminhar cheguei em casa, abro a porta, os quadros estão lá, os quadros da minha irmã, quadros de nossa vida, desse nosso caminhar da família que segue junta, depois de tantos afãs, depois de tanto chorar, depois de tanto ...

encantamento 11: a galinha sábia / enchantement 11: la poule sage

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lembrando a estória da cigarra e da formiga, de Esopo, contada no século XVII por  La Fontaine, versão brasileira a galinha pintada de branco e amarelo, com seus doze pintinhos todos bem amarelinhos, corriam a brincar ; quantos pintinhos : de comer a todos eu preciso dar. e assim, ciscando, ciscando, ela viu um grão de trigo no chão ; gato, você me ajuda a plantar o trigo ? eu, miaaaaauuuuu, tô descansando! e a galinha, sozinha, semeou os grãos de trigo e assim, ciscando, ciscando, ela viu o pavão: pavão, me ajuda a cortar as espigas ? eu ? não! não! não! não tenho tempo tempo não, e a galinha, sozinha, colheu todo o trigo. e assim, ciscando, ciscando, a galinha foi para o moinho, moer o trigo ; seu cachorro, você me ajuda a moer o trigo? eu ? auuauuau,  não, tô  muito ocupado ; e a galinha moeu o trigo. e assim, ciscando, ciscando, quando ela saiu do moinho, ela encontrou um porquinho ; olá, seu porquinho, você me aju...